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CONDENADO A 57 ANOS DE PRISÃO
Ex-segurança de Arcanjo que cumpria pena em Leverger por assassinatos de pescadores vai para o semi-aberto
08/07/18
Por: Redação - Leverger News
Fonte: Circuito MT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesta última semana, Noreci Ferreira Gomes, ex-policial militar e segurança de João Arcanjo Ribeiro, mais conhecido como “Capitão do Mato”, cumpria pela terceira vez a determinação de comparecer ao Fórum de Cuiabá para justificar as suas atividades perante o juiz Alexandre Paulichi Chiovitti. Há três meses que o condenado progrediu de regime para o semi-aberto e está livre da pena de 57 anos de reclusão. A informação consta no processo de execução penal na Segunda Vara Criminal de Cuiabá.

Com atuais 59 anos, o “Capitão do Mato” ficou conhecido em Mato Grosso como um dos assassinos no caso que, na época, foi chamado de “Chacina da Fazenda São João”. O imóvel em questão era da propriedade do patrão João Arcanjo, e Noreci era um dos seguranças do local. Foram mortos no local quatro pescadores que em 2004 caçavam iscas na fazenda.

Além de homicídio, o condenado tem penas por sequestro, tortura, formação de quadrilha e entre outros.

Noreci conseguiu a progressão do regime fechado para o semi-aberto há pouco mais de dois meses. O condenado estava preso na Cadeia Pública do município de Santo Antônio de Leverger (a 35 km de Cuiabá).  As penas do ex-pistoleiro somam 57 anos, oito meses e vinte dias de reclusão.

Mais especificamente, 14 anos e dois meses de prisão das condenações de Noreci se referem ao assassinato e ocultação de cadáver do vaqueiro Renato Batista Cury. Outros 25 anos são de homicídio, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Já os últimos 16 anos são pelo sequestro e tortura do gerente Carlos José Rodrigues.

Mas, por ter um bom comportamento na prisão e cumprir 2/5 da pena, o juiz Alexandre Chiovitti concedeu o benefício da progressão de pena a Noreci em uma audiência realizada dia 10 de abril deste ano. Sete dias depois, um oficial de justiça levou o alvará para que os carcereiros executassem a decisão e liberasse o condenado. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) também se manifestou pela progressão do regime.

Ele cumpriu pouco mais de sete anos de pena. A progressão exata, na verdade, aconteceu em 27 de outubro do ano passado. Caso cumprisse toda a pena em reclusão, Noreci somente sairia em 29 de março de 2067. Ele estaria com 109 anos nesta data.

CHACINA FAZENDA SÃO JOÃO

Os pescadores Pedro Franscico da Silva (25), José Francisco de Almeida (27), Arelir Manoel de Oliveira (32) e Itamar Barcelos (32) foram mortos porque pescavam sem autorização em um dos tanques de piscicultura da fazenda.

Foram denunciados como executores dos pescadores o gerente do setor de pescas da fazenda, Joilson James Queiroz, e os seguranças Noreci Ferreira Gomes, Valdinei, Evandro Negrão, Édio Gomes Júnior, o “Edinho”, Alderi Souza Ferreira, o "Tocandira", Adeverval José Santos, o “Paraíba”, e Carlos César André, o “Pezão”.

A chacina aconteceu em 21 de março de 2004. Itamar, Pedro, José e Arelir foram pescar em um dos tanques que fica na Fazenda São João, propriedade de Arcanjo. Na época, os bens dele estavam bloqueados pela Justiça e ele estava foragido no Uruguai.

Noreci e os demais seguranças faziam a ronda dos tanques das 14h às 21h. Quando viram os pescadores, o grupo se separou. Paraíba, Claudinei e Pezão foram para um lado. Noreci, Valdinei, Evandro, Edinho e Tocandira foram para outro.

O primeiro grupo rendeu os pescadores. Momentos depois, o segundo grupo chegou armado e atirando. Três tiros atingiram Itamar.

Ao chegar à fazenda e ver Itamar morto, o gerente Joilson teria ordenado que Pedro, José e Arelir fossem afogados e desovados longe dali. Os seguranças então os renderam e amarraram os pés e as mãos. Em seguida, um foi atado ao outro e jogados num dos tanques, que tinha cerca de três metros de profundidade.

Antes, porém, Noreci teria gritado com as vítimas. "Vamos dar uma afogada em vocês para aprenderem a não mais roubar peixe", retrata o jornal Diário de Cuiabá em uma matéria sobre a reconstituição do crime à época.

Os três debateram na água por cerca de 20 minutos antes de morrerem, segundo depoimento de seguranças. Depois, Paraíba mergulhou e os puxou com uma corda. Ele é que tinha sido encarregado de retirar os corpos do tanque. Na sequência, os quatro corpos foram colocados na carroceria de um automóvel e jogados numa estrada de chão, a 20 quilômetros da fazenda.

Na época do crime, policiais encontraram as bicicletas dos pescadores dentro da fazenda. Também foram apreendidas duas armas, sendo uma carabina calibre 38 e uma espingarda calibre 22. Os familiares confirmaram que seus parentes foram pescar no tanque.

Pouco mais de dois meses depois, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou os oitos funcionários. Eles foram indiciados por homicídio, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Na época, somente Paraíba e Pezão foram capturados e levados ao tribunal do júri no final de 2004. Os outros seis foram considerados foragidos.

Noreci só foi encontrado em maio de 2009, após investigações da Policia Civil e de uma arapuca para prender o ex-segurança de Arcanjo. Segundo o jornal a Gazeta, ele trabalhava como corretor de imóveis em Cuiabá.

Em 13 de setembro de 2010, ele foi condenado a 25 anos de prisão pela Justiça mato-grossense no caso da chacina. Na ocasião, Noreci foi apontado como o mandante para que os outros seguranças jogassem os três prescadores restantes no tanque. Em depoimento, o Capitão do Mato negou as acusações e apontou o gerente da fazenda como o líder.

Os demais acusados se encontram foragidos da Justiça até hoje.

A MORTE DO VAQUEIRO

Outro crime que aconteceu dentro da Fazenda São João e que também levou a uma condenação de Noreci foi o homícidio do vaqueiro Renato Batista Cury.

O assassinato aconteceu em dezembro de 2003, e a vítima tinha apenas 21 anos na época. Renato trabalhava com inseminação artificial de gado e morava na fazenda. Segundo o jornal a Gazeta, houve um desentendimento entre ele e um dos seguranças da fazenda.

Noreci foi então tirar satisfação com Renato sobre a discussão. Roberto teria então virado de costas e saido da sala. Contudo, ele levou um tiro na nuca disparado pelo segurança.
Os outros capangas ajudaram a enrolar o corpo em uma rede. Eles o jogoram num monte de pneus para queimar. Os restos mortais foram encontrados três dias depois.

Noreci foi condenado em setembro de 2010 por esse caso. Ele respondeu pelos crimes de homícidio e ocultação de cadáver. O Capitão do Mato pegou uma pena de 14 anos e dois meses de prisão.

SEQUESTRO DE GERENTE

Em 2 de abril de 2002, Noreci, junto com Pedro Paulo de Oliveira e Elídio de Oliveira, chegou a ser preso pelo sequestro e tortura do gerente Carlos José Rodrigues.

O dono da empresa Tijucal Madeiras, Dilmar Cleto Sezotzki tinha uma dívida de R$ 72 mil com Pedro Paulo de Oliveira. Segundo a polícia, o proprietário, que possuia uma dívida total de R$ 500 a factorings e agiotas, pegou esse montante e fugiu. Mas antes de evadir, ele transferiu o nome da empresa para Carlos.

Ao saber que o empresário havia fugido, Pedro encomendou o sequestro do gerente. Ele foi capturado às 18h na avenida Dante Martins de Oliveira e levado para uma chácara onde foi torturado com choques elétricos e espancamento. Segundo o Diário de Cuiabá, ele só conseguiu sair vivo, pois fez um acordo com Noreci, Pedro e Elídio para que o soltassem para que pudesse conseguir o dinheiro para saldar a dívida.

Ele foi liberado em um ponto próximo a fábrica da Coca-cola, em Várzea Grande. Assim que teve chance, Carlos procurou a polícia. 12 dias depois, a Policia Civil prendeu Pedro, que foi encontrado com três cheques da madeireira no valor de R$ 35 mil, e Noreci, que foi preso preventivamente na ocasião.

Já Elídio conseguiu fugir no dia da prisão, mas meses depois foi encontrado morto em uma chácara. A suspeita é de envenenamento. Segundo o jornal a Gazeta, ele era cobrador de Arcanjo.

 

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