Santo Antônio de Leverger, 24 de Novembro de 2017
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ZELITO BICUDO
Um pouco da história do ilustre santo-antoniense, compositor, poeta, escritor e advogado
05/01/14
Por: Redação
Fonte: Especial - Marianna Marimon/Olhardireto/Fotos: Arquivo Pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a vitrola dançando sobre o disco, a sua primeira neta, Júlia, uma pequena criança com olhos curiosos e questionadores, se encantava com os vinis de chorinho apresentados pelo avô, que lhe abriram um mundo novo de imaginação. Um amante da música, da literatura, da poesia e das artes em geral, Zelito Bicudo (1922-2000) incitava o amor à criatividade em todas as suas formas. Um homem excepcional, arrisca a adjetivar o pai, a filha mais velha Verônica. Um homem que acreditava que abrir as portas para novos universos não só era possível, mas necessário.

Uma vida riquíssima em múltiplas experiências. Um homem à frente do seu tempo: saiu de Santo Antônio do Leverger, sua cidade natal, para estudar Direito no Rio de Janeiro (coisa rara para a época), e acabou ficando por lá por 20 anos. Foi delegado da Barra da Tijuca e diretor de censura tendo trabalhado durante o governo de Getúlio Vargas. Retornou à Cuiabá para atuar como secretário de Segurança no governo de João Ponce de Arruda.

As memórias dos familiares revelam a sensibilidade única deste homem que criou o hino de Santo Antônio do Leverger, figurou entre os compositores do rasqueado cuiabano e incentivou a cultura e a arte como pode, principalmente, aos que estavam sempre perto de si. Outras composições como “Cuiabá dos meus amores” e “Garota Poconeana” marcaram a vida de Zelito.

São muitas recordações: caixas e mais caixas de memória que estão guardadas. Verônica explica que mexer neste passado causa uma emoção muito profunda (irão se fazer 14 anos desde a morte do pai), mas, ao falecer, Zelito deixou muitos escritos, são poemas, contos e músicas (um espólio que deve possuir verdadeiros tesouros).

Era um contador de ‘causos’. Viveu muito e perpassou por diversas experiências. Lá do Rio de Janeiro contou para a filha Verônica como um homem matou um ladrão que entrou em sua casa, ao se abaixar para ‘calçar’ o chinelo e pegar um revólver de duas balas e disparar contra o infrator. Zelito se assustou com o sangue frio.

Talvez tenha se assustado com a crueza humana por possuir dentro de si, um sentimento forte de acreditar na vida que permite tanta beleza e arte.

Lia dois livros ao mesmo tempo, podia ser política e romance, e os terminava em uma semana. Sua leitura acabava sendo antagônica, assim como sua vida: trabalhou como promotor e procurador-geral do Estado, atuava no Ministério Público, gostava de debater política, mas não queria atuar nesse campo. Era especialista em direito do trabalho, e quando se aposentou começou a ensinar pupilos, um desses é o atual procurador-geral do Estado, Paulo Prado.

Foi um dos fundadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) onde ministrou aulas de direito, e era conhecido como professor Cátedra. Era amigo de Silva Freire e Aníbal Bouret (os três mosqueteiros inteligentes de Cuiabá). Também foi amigo de Rubens de Mendonça, um dos maiores historiadores do Mato Grosso. Por isso, colecionava muitas histórias e estórias. Vivia em um mundo fantasioso, mas ao mesmo tempo, realista, com os pés no chão. Queria abrir as portas para todas as possibilidades.

Mas sua paixão nas artes não se limitava só a música e a literatura. Ia muito além, cultuava a cultura global e regional em todas as suas formas. Era um apaixonado por cinema. Verônica recorda do primeiro filme de Charles Chaplin que viu com o pai, que a acordava nas madrugadas para ver os clássicos que passavam na TV. À época como diretor de censura no Rio de Janeiro, pode ver muitos filmes nacionais e internacionais.

E Zelito Bicudo me parece assim: contemplativo, sério porém sereno, e imaginativo, com estórias guardadas na cartola que se encaixavam em cada situação. Gostava muito dos ribeirinhos, e toda a família era do “Rio Abaixo”. Colecionava antiguidades, até aquelas que encontrava nos quintais das casas cuiabanas. E imagino que com toda sua reverência, transcorria Cuiabá como se a cidade fosse completamente sua.

Com o ritmo do rasqueado na cabeça, e as letras que corriam soltas e se formavam em rimas, Zelito Bicudo não era só advogado: era um poeta, um artista, um espírito livre que encontrou a arte e o amor, nas margens do rio que tanto venerou.

Saiba mais sobre o que escreveram sobre Zelito Bicudo:

O sangue bom dos Guatós

Cuiabá e a cuiabania perderam há poucos dias um de seus expoentes mais ilustres, falecido aos 80 anos de idade, José Paes Bicudo, natural do rio abaixo, nascido na pequena e gostosa Santo Antônio do Leverger. Terra que esse seu filho homenageou com a letra do rasqueado que começa com uma estrofe declarando amor ao berço natal: "Oh! Santo Antônio eu vivo a te adorar...", falando ainda dos verdes campos e flores do lugar. Quem não conhece essa música em Cuiabá? Por certo, todos os que aqui nasceram ou vivem já a escutaram diversas vezes, pois se trata mesmo de um clássico da música nativa, cujo autor é o doutor Bicudo, freqüentador que foi das melhores mesas onde figuras típicas, porque referenciais dessa cultura denominada cuiabania, costumam se reunir, a exemplo daquela localizada no restaurante Choppão, onde aos sábados, no período do dia, ele costumava marcar ponto até pouco antes de falecer. Sua presença marcante dava brilho à roda. Homem viajado, culto e bom papo, porém, com seu umbigo bem plantado nesta Cuiabá, cuja terra agora colhe seus restos mortais.
Com certeza, naquela mesa está faltando ele, com sua irreverência e mordacidade, com sua alegria de compositor e poeta. Tive o privilégio, por diversas ocasiões, de privar do convívio ao seu lado, nesse espaço democrático que é uma mesa de bar. Dele ouvi histórias e casos saborosos, de um tempo bom que, realmente, não volta mais. Da Cuiabá de seus muitos becos e cadeiras nas calçadas. Quando as pessoas se tratavam pela intimidade dos apelidos.
Bicudo, como era tratado carinhosamente por seus muitos amigos, professor de Direito do Trabalho, disciplina que dominava com maestria, era também procurador aposentado da Justiça e, à época em que João Ponce de Arruda era governador de Mato Grosso, por volta da década de 60, ele foi chefe de polícia, cargo hoje equivalente ao de secretário de Segurança Pública. Participou ativamente da política de então, como membro do antigo PSD, antípoda e rival histórico da UDN, com esses dois partidos se alternando no poder no Estado e nas prefeituras do Mato Grosso uno.
Da sua vasta lavra de compositor e musicista, tem uma outra letra, com conotação satírica e bem humorada, que ele fez quando de sua passagem por Poconé, onde foi promotor e que diz; "Morena casa comigo que eu sou trabalhador, com chuva não vou na roça, com sol muito pior...", numa alusão ao estilo pacato, sem pressa, que seria próprio dos poconeanos de antigamente. Uma indolência telúrica de um povo que, sem correrias, sabe levar a vida. Respeitando a água e seus ciclos, cuidando da planície pantaneira com a preocupação ambiental trazida na própria alma, surgida naturalmente, o que, obviamente, não é trabalho para ser feito de forma agitada e pressurosa e, sim, com paciência e perseverança.
José Paes Bicudo, que corria em sua veia o sangue dos índios Guatós, conhecia profundamente esse instinto plácido e próprio de uma cultura que se forjou longe do borburinho dos grandes centros e, por isso mesmo, trazendo entranhada em sua formação valores como o de saber respeitar a natureza. Conviver com ela em harmonia.
Bicudo, portador dessas boas qualidades, certamente deve estar gorjeando seus inspirados versos nas paragens celestiais. Ganha o céu e perdemos nós.
Bicudo agora canta seus versos e poemas as paragens celestiais
MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista.

 

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