Por: Juércio Antônio Marques
No último final de semana, tivemos o privilegio de ser convidados pela ONG SABIÁ, para descermos o nosso velho Rio Cuiabá, Percorremos toda a sua extensão no nosso território, paramos em quase todas as comunidades e sentimos na pele o sofrimento dos ribeirinhos, principalmente daqueles que tem a pesca por profissão. Chegamos até a sede do município de Barão de Melgaço.
O Rio Cuiabá nasce no Município de Rosário Oeste, percorre 828 km e desemboca no Rio Paraguai, em Cáceres. Os ribeirinhos que habitam toda a sua extensão, com raras exceções, dependem, quase que exclusivamente, do Rio.
O Cuiabazão agoniza, e pede socorro!
A economia de Santo Antônio gira em torno da pesca, tanto amadora como profissional, vislumbra-se em nossa frente, num futuro próximo, um retrocesso do nosso Município, pela escassez ou falta total de peixes.
O descaso com o Rio Cuiabá e a falta de políticas ambientais, são entre outros, os problemas que inegavelmente condenou o nosso Rio à morte, infelizmente. Esses e outros problemas crônicos e às vezes insanáveis são decorrentes de políticas praticadas ao longo de muitos anos por governantes que se alternaram no poder.
Chega!...
Basta!...
Chegamos ao limite máximo do tolerável.
Não agüentamos mais discursos eloqüentes, QUEREMOS AÇÃO.
Ao descermos o Cuiabazão foi possível diagnosticar, os principais problemas, entre outros, temos:
Assoreamento – tivemos o desprazer de testemunhar que há trechos no Rio Cuiabá inavegáveis, mesmo para pequenos barcos como os nossos. A lâmina d’água mal cobre os pés, obviamente o peixe jamais subirá o rio, a partir desse ponto. Por outro lado, o assoreamento representa um menor volume de água chegando ao Pantanal, consequentemente diminuição drástica da quantidade e das espécies de peixes.
Só há uma solução, a curto prazo, para reverter o quadro, DRAGAS.
Não podemos contrariar o óbvio e obviamente, há imperiosa necessidade de dragarmos urgentemente o LEITO do Rio Cuiabá, não indiscriminadamente em quaisquer lugares, pois se assim as dragas o fizerem a problemática aumentará.
Áreas degradadas - Na nossa descida foi possível ver muitas áreas degradadas, inclusive as áreas de preservação permanente (APP), aquelas que formam às margens do rio e que impede o assoreamento.
A degradação das margens do Rio Cuiabá se deu pela ação dos moradores ribeirinhos, famílias tradicionais, que residem no local a mais de 80 anos, não por imprudência, mas por ignorância, (ignorância, no sentido de ignorar, de desconhecer), não sabiam eles que retirando a mata ciliar aconteceria o desmoronamento das barrancas, o assoreamento do leito e consequentemente o sumiço dos peixes.
Um dos moradores que visitamos com a ONG SABIÁ, Sr. Santana disse-nos que vive as margens do rio a mais de 60 anos e que foi do rio que tirou o sustento de sua família. Disse que vê com muita tristeza a falta de peixe no velho Cuiabazão e que já perdeu, para o Rio, mais de 10 metros de suas terras e, anualmente perde mais e mais.
Neste caso, só há uma solução, oferecer mudas gratuitamente de espécies nativas da região e replantar essas áreas, num plano de recuperação de áreas degradadas.
O primeiro passo é montar o banco de sementes, que a ONG SABIÁ já está providenciando junto à fazenda experimental da UFMT.
Lixo – Ao descermos o Rio Cuiabá, foi possível tirarmos as nossas próprias conclusões a respeito da falta de peixe no Cuiabazão. Pelo descaso das autoridades constituídas, deparamos com muito lixo nas águas, no leito e nas margens do rio, vimos de tudo, inclusive máquina de lavar roupa, pneus, mas o volume maior do lixo é de plásticos e garrafas pet’s (garrafa descartável de refrigerantes).
Hoje, falta peixe e sobra lixo!
O Serviço imediato é limpar o Rio Cuiabá, proposta da ONG SABIÁ, o qual contará com o apoio e a parceria de todos os moradores das comunidades ribeirinhas.
O Segundo passo é conscientizar a população para que deixem de jogar lixo no Rio Cuiabá. A ONG SABIÁ já esta trabalhando através de panfletos, que serão entregues no pórtico da cidade a partir do dia 1º de setembro.
Em outra ação, a ONG SABIÁ, solicitou, por ofício, ao Poder Legislativo Municipal, através do Ver. Dito Lucas, estudo de viabilidade de criar uma lei obrigando a rede publica municipal implantar no currículo escolar, a disciplina EDUCAÇÃO AMBIENTAL.
O problema do lixo no rio é questão de educação, é como uma torneira com vazamento, não adianta enxugarmos o chão, que logo em breve estará todo molhado, a solução é consertar a torneira. Do mesmo modo, não adianta catarmos o lixo, temos que conscientizar as pessoas e, dessa maneira impedir que tornem a jogar mais lixos no leito do rio.
As autoridades constituídas deveriam, através da Assembléia Legislativa, criar lei que proíba, em todo Estado de Mato Grosso, a venda de refrigerantes em garrafas pet’s. As garrafas de vidro são retornáveis, isto é, para comprarmos o refrigerante teremos que levar o “casco” ou obrigar as Empresas recolherem as suas embalagens como foi feito com os pneus ou que elas criem postos de compra dessas garrafas com objetivo de reciclagem, mas que paguem valores compatíveis, para estimular os catadores, como no caso das latas de cervejas e refrigerantes que são recicladas 100%.
O que não pode é o poder público ficar inerte e deixar morrer o nosso Cuiabazão. Nós, através da ONG SABIÁ estamos fazendo a nossa parte!
Sinceramente,
Juércio A. Marques.
Juércio Antônio Marques – Contador – Pós graduado em perícia Contábil e em Gestão Pública.
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