Por: Waldemir Padilha da Silva
Personalização na política
A personificação ou personalização do poder é entendida como o reconhecimento, em uma pessoa, da força política que exerce e da capacidade de realizações, pela sociedade. Sociedade que deposita nessa pessoa a confiança de lutar pela possibilidade de viver melhor e ver o seu estado e/ou município em que vive crescer e desenvolver-se.
Apesar da personificação do poder ser um aspecto bem mais identificável nos regimes autoritários como em muitos paises pelo mundo a fora, pode-se perceber também, não com menos intensidade, porém menos manipulatória a questão da personificação do poder em regimes democráticos, como o nosso brasileiro.
Culturalmente a maioria dos eleitores não foi acostumada a pensar politicamente ou criticamente a respeito da forma com que se governa ou que se pretende governar, tornando assim a personalização um campo fértil de atuação para os pretensos representantes do imaginário popular.
Muitos municípios brasileiros, vem tendo eleições sistemáticas com os mesmos personagens comandando o processo político, é um exemplo da personificação.
Isto confunde o entendimento do cidadão que na maioria das vezes não se prende aos fundamentos ou ideários de cada partido, se prende sim na identificação pessoal que faz com determinado candidato à composição do poder executivo ou legislativo.
Quanto maior a quantidade de partidos, incluindo os sazonais, que surgem em época de eleições, maior o desinteresse da população em conhecer o que cada um
tem a oferecer. O mais conveniente é exercer a condição de cidadão baseando-se na pessoa, nas características semelhantes.
O fator de identificação da “pessoa cidadão” com a “pessoa político” é uma característica muito forte em nosso município, que tem muitos carentes dos bens essenciais. A pessoa candidata a ocupar o lugar em defesa dos menos favorecidos deve, em muito, assemelhar-se a eles. Falar ao mesmo nível de entendimento, vestir-se de forma que o identifique como igual são fatores que agregam valores e anseios.
Alguém que passe, através da imagem ou do linguajar, repulsa ou descrédito jamais conquistará a simpatia do povo.
Sabe-se, contudo, que a ascensão ao poder não depende em tudo da personificação, depende, além disso, das ligações políticas, das estruturações partidárias, dos interesses da minoria privilegiada.
Em um país como os Estados Unidos da América a personificação é algo bem menos perceptível. O fato de haver apenas duas correntes partidárias, a situação e a oposição, facilita consideravelmente a análise popular, e se vota no partido que tem condições de eleger aquele com quem a sociedade mais se identifica e que tema real possibilidade de manter e até elevar o nível de vida daquela população e a imagem do país perante o resto do mundo.
Portanto, em um município como o nosso, ainda carente fundamentalmente de consciência e cultura política, tem-se um longo caminho a percorrer para a libertação da personificação do poder e o encontro com a crença na instituição e não na pessoa, posto que aquela é quem deve ter o poder de realizar e solucionar os problemas do cidadão em nosso estado e/ou município.
*Waldemir Padilha da Silva é economista formado pela UFMT e empresário da construção civil.
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